A histórica passagem do grupo sul-coreano BTS pelo Estádio do MorumBIS, em São Paulo, foi marcada não apenas pelos sucessos musicais e pela energia dos fãs, mas também por um gesto significativo de valorização e conexão cultural. Durante as apresentações, os integrantes surgiram no palco a usar acessórios tradicionais indígenas, abrindo espaço para conversas sobre a arte e o conhecimento ancestral dos povos originários brasileiros.
Na apresentação de sexta-feira (30), os membros do grupo chamaram a atenção do público ao usarem pulseiras de miçangas confecionadas com grafismos Kene, uma linguagem visual e artística ancestral pertencente ao povo Huni Kuĩ, da Amazónia.
Estes padrões geométricos representam conhecimentos profundos transmitidos ao longo de gerações, sendo desenvolvidos e preservados maioritariamente pelas mulheres da comunidade. A inclusão destas peças nos visuais de palco levou milhares de admiradores a pesquisarem sobre a história, a cosmologia e a importância da proteção dos territórios e tradições do povo Huni Kuĩ.
No concerto de encerramento, no sábado (31), registos partilhados por fãs mostraram os integrantes Jin e RM a utilizarem cocares no palco principal. Embora a origem exata e a autoria destas peças específicas não tenham sido confirmadas, as imagens rapidamente viralizaram e emocionaram o público presente.
Nas redes sociais, a comunidade de fãs brasileira (ARMY) celebrou o momento, destacando o impacto de ver elementos das culturas indígenas projetados num espetáculo de alcance global, acompanhado por espectadores de dezenas de países. O gesto foi recebido como uma demonstração de carinho, respeito e valorização da diversidade cultural do país acolhedor.

