Banner BTS World Tour
Destaques, Entrevistas, Matérias

“$TAY THE NIGHT”: o lado mais feminino e real. – Entrevista VVS

Entrevista, booking, tradução: Guto Togo

Design: Jessica Fernandes

Após conquistar atenção com o impacto de “D.I.M.M.”, o VVS retorna em uma fase mais madura, confiante e autêntica com o EP “$TAY THE NIGHT”. Misturando influências fortes de R&B, estética ousada e letras carregadas de humor, atitude e autoconsciência, o grupo mostra uma evolução que vai além da música, refletindo também o crescimento individual de cada integrante.

Em entrevista exclusiva, as integrantes falaram sobre o processo de gravação nos Estados Unidos, a liberdade criativa por trás deste comeback e a relação especial que construíram com os fãs brasileiros desde a estreia.

Confira a entrevista completa para à HIT! Magazine:

TIME HIT: O que “$TAY THE NIGHT” representa para o VVS hoje, tanto como artistas quanto como grupo?

LENA: “$TAY THE NIGHT” representa uma evolução importante e mais madura para o VVS. Acreditamos que este álbum representa nossa “verdadeira identidade”, mesmo que isso ainda esteja se formando enquanto crescemos.

Como grupo, nosso maior charme é que somos muito divertidas, animadas e bobas fora do palco, enquanto no palco somos carismáticas, confiantes e, de certa forma, sutilmente arrogantes. Mas essas personas de palco e fora do palco acabam se sobrepondo, ou talvez se equilibrando e o álbum “$TAY THE NIGHT” representa justamente esse equilíbrio entre os dois lados.

TIME HIT: Se vocês tivessem que descrever este EP com apenas uma emoção, qual seria e por quê?

LENA: Se tivéssemos que descrever este EP com apenas uma palavra, provavelmente seria: “vibey” (cheio de vibe/atmosfera). Acreditamos que esse lançamento está repleto de vibes, seja nas músicas mais suaves de R&B ou nas faixas mais pesadas voltados para o rap. Sonoramente, é mais coeso, enquanto nosso álbum de estreia era mais eclético em termos de som.

Pessoalmente, gostamos de ouvir este EP à noite, depois que o sol se põe, ou até mesmo no banho, criando um encerramento perfeito para o dia. Ouvir as músicas de olhos fechados também é algo que costumamos fazer, pode parecer estranho, mas experimentem!

TIME HIT: Comparado a “D.I.M.M.”, qual é a maior mudança na identidade do VVS neste comeback?

LENA: Comparado a “D.I.M.M.”, o VVS está mais maduro e “crescido”, literalmente estamos mais velhas, e acreditamos que estamos mais femininas neste comeback, tanto visualmente quanto vocalmente.

Isso pode ser percebido claramente nas temáticas das músicas “A$K”, “MIXIN’ THANG$” e “DA$H”. Nossa feminilidade também aparece visualmente através dos figurinos, cabelo, maquiagem, além de todas as novas fotos conceituais e videoclipes.

Liricamente, estamos nos divertindo mais (alguns podem até considerar isso controverso), mas acreditamos que isso mostra nosso verdadeiro caráter de não levar a indústria tão a sério. Afinal, estamos fazendo música pop para ser apreciada. Queremos sempre ser honestas e autênticas com o que fazemos, e isso também significa rir de si mesmas ou agir um pouco fora do esperado para o que um idol de K-pop “deveria ser”.

TIME HIT: Vocês gravaram em Los Angeles e filmaram em Miami. Qual foi o momento mais memorável ou inesperado durante esse processo?

LENA: Foi a nossa primeira vez tanto em Miami quanto em Los Angeles, então foi muito emocionante. Nós amamos o clima e todos foram muito gentis conosco. Todos os dias começavam com uma energia positiva: dizendo “bom dia” para os vizinhos e ouvindo as pessoas da academia desejarem um ótimo dia para nós. Foi uma pequena experiência cultural que nos surpreendeu de forma muito agradável. O conceito de “small talk” é algo muito mais americano ou talvez ocidental, então não estávamos acostumadas, mas acabamos gostando bastante.

O momento mais inesperado aconteceu durante as gravações do nosso videoclipe. Algumas pessoas vieram falar conosco, perguntaram quem éramos, disseram que parecíamos muito estilosas e até nos convidaram para nos apresentar em certos locais, apenas por nos verem gravando nas ruas de Miami! Isso nunca aconteceu conosco na Coreia. Essa abertura e curiosidade das pessoas em relação a nós era algo que ainda não tínhamos experimentado em nossa carreira, então foi muito emocionante sentir essa atenção.

Outra história engraçada do set foi sobre uma garotinha que participou do videoclipe de “$TAY THE NIGHT”. Ela veio até nós e perguntou quando ficaríamos famosas. Foi tão fofo e inocente que não soubemos o que responder além de rir sem graça e dizer: “esperamos que em breve”. A honestidade e sinceridade dela foram revigorantes.

TIME HIT: Qual faixa vocês sentem que melhor representa essa nova fase do grupo e o que faz ela se destacar das demais?

RANA: Entre as faixas do álbum “$TAY THE NIGHT”, acreditamos que “MIXIN’ THANG$” e “A$K” representam melhor esse nosso novo lado. Essas duas músicas mostram um estilo autêntico de R&B que ainda não tínhamos apresentado antes e refletem naturalmente o crescimento e a evolução musical do VVS.

Enquanto músicas dos álbuns “D.I.M.M.”, como “TOUCH IT” e “PURRFECT”, são divertidas e mais “na sua cara”. Nosso primeiro álbum nunca teve realmente um momento em que os vocais fossem o foco principal durante toda a música, com um andamento mais suave e fluido. As temáticas mais maduras e a atmosfera refinada são pontos chave deste álbum, algo refletido claramente nessas duas faixas também.

Todas as integrantes escutam muito R&B. E na verdade estudamos e treinamos dentro desse gênero desde a época de trainee. Sempre que encontramos músicas boas, compartilhamos umas com as outras.

Há muito tempo falávamos sobre querer experimentar um som de R&B de verdade algum dia, então, desde o momento em que ouvimos as demos, ficamos muito motivadas a entregar essas músicas da melhor forma possível.

TIME HIT: O texto menciona uma abordagem mais provocativa e bem humorada nas letras. Poderiam compartilhar uma linha específica ou ideia que represente isso?

RANA: Na letra de “COUNT IT UP”, existe um verso que diz:  “wipe my ass wit’ a Hondo. From L.A. to Jongro. Got damn, these diamonds shinin’.

As pessoas podem achar isso bobo ou provocativo quando ouvem, mas não é algo para ser levado tão a sério. A frase em si não possui um significado profundo, porém ela aparece em um dos versos finais de uma música que passa quase todo o tempo falando sobre riqueza e ostentação, apenas para tudo isso ser desconstruído no final de “COUNT IT UP”, quando a LENA está falando animadamente sobre todos os itens luxuosos que deveríamos comprar, e então a BRITTNEY interrompe dizendo: “Lena, nós estamos falidas!

Essa autoconsciência da música é algo muito importante para nós. Somos uma empresa pequena, com orçamento e recursos limitados, então as letras, apesar de exageradas, também mostram que temos consciência de que parte do que estamos dizendo é puramente por diversão e não representa exatamente nossa realidade.

Letras de K-pop muitas vezes acabam sendo engraçadas sem querer, mas no nosso álbum, especialmente em “COUNT IT UP”, existem muitos momentos em que estamos intencionalmente tentando ultrapassar os limites do humor e da hipérbole.

TIME HIT: Existe alguma música do EP que ganhou um novo significado para vocês depois de ser gravada?

BRITTNEY: Todas as músicas do EP têm uma identidade muito forte e contam histórias bem específicas, mas entre elas, “BOTTLE$” parece especialmente diferente para nós, principalmente por ser uma unit song da minha com a ILEE. É a música que mais praticamos e a que conhecemos há mais tempo entre todas as faixas deste álbum, com quase três anos e meio de preparação.

Não é que “BOTTLE$” tenha sido especialmente difícil de gravar ou produzir, mas nós literalmente evoluímos muito desde o início do processo de gravação até agora, então cada versão da música acabou refletindo exatamente o nosso nível de habilidade naquele momento específico.

Quando ouvimos a música agora e comparamos com a primeira versão de anos atrás, existe uma marca muito real e perceptível da nossa evolução como rappers e artistas. Isso faz com que “BOTTLE$” se destaque de uma forma que as outras músicas talvez não consigam, porque todas as outras foram gravadas em um período mais recente. “BOTTLE$” é uma representação literal do nosso progresso como artistas e, como tanto tempo e esforço foram dedicados a essa faixa, esperamos muito que os fãs gostem dela.

TIME HIT: Se alguém nunca ouviu VVS antes, qual música vocês recomendariam primeiro e por quê?

BRITTNEY: Essa é uma pergunta muito difícil, porque colocamos uma enorme variedade de sentimentos e emoções ao longo deste álbum, então é complicado escolher apenas uma música. Mas, como o VVS constrói sua identidade através de músicas focadas em rap, recomendaríamos a faixa principal, “$TAY THE NIGHT”.

Nessa música, dá para ouvir claramente o estilo único de cada integrante através do flow e das letras, incluindo a combinação de letras em inglês e coreano. Cada integrante também possui uma cadência e um esquema de rimas bem diferentes, então é divertido perceber a personalidade presente em cada trecho.

No videoclipe, cada uma aparece inicialmente em um cenário completamente diferente, atuando como “agentes” disfarçadas, antes de revelarmos nossa “verdadeira” identidade como “espiãs VVS” em uma missão para recuperar um diamante misterioso roubado na infância. O contraste entre a individualidade dessas cenas iniciais e a revelação do grupo no final representa perfeitamente como o VVS valoriza tanto as características individuais das integrantes quanto a forma como essas características contribuem para o grupo como um todo.

Quando recebemos a demo de “$TAY THE NIGHT” pela primeira vez, foi difícil encontrar a nós mesmas dentro de cada verso de rap. Mas, com o tempo, cada verso foi ficando cada vez mais natural para nós e agora realmente sentimos que cada parte se tornou uma extensão de quem somos.

Se o nosso primeiro álbum pode ser representado claramente por “D.I.M.M.”, então acreditamos que “$TAY THE NIGHT” cumpre esse papel neste álbum. “D.I.M.M.” recebeu muito amor dos fãs, então, enquanto trabalhávamos neste projeto, queríamos criar outra música que transmitisse uma sensação parecida, mas que ao mesmo tempo tivesse identidade própria e se diferenciasse do som e da mensagem de “D.I.M.M.”.

Ao mesmo tempo, também estávamos um pouco preocupadas, porque não queríamos simplesmente repetir o que já tínhamos feito antes. Mas, no final, acreditamos que “$TAY THE NIGHT” representa a essência de “D.I.M.M.” sem apenas repetir os mesmos elementos, é uma música totalmente original, mas que ainda existe dentro do mesmo universo de “D.I.M.M.”.

TIME HIT: Este comeback mostra o lado mais “real” do VVS até agora?

BRITTNEY: Como este ainda é apenas o nosso segundo álbum, talvez seja um pouco cedo para dizer que ele representa completamente o nosso lado mais “real”. Mas, se o primeiro álbum foi a nossa introdução, então acredito que este segundo álbum realmente mostra um estilo e uma imagem mais consolidados.

Durante as gravações e filmagens do nosso álbum de lançamento, estávamos simplesmente muito animadas por finalmente estrearmos e queríamos mostrar tudo o que havíamos preparado nos últimos anos, então a individualidade de como cada integrante se unia para formar o VVS às vezes acabava ficando escondida por trás do conceito maior.

Por outro lado, enquanto preparávamos “$TAY THE NIGHT”, conseguimos pensar com mais clareza sobre nossas cores individuais (literal e figurativamente) e incorporar essa singularidade na linha de frente do conceito do grupo.

Gravar em Los Angeles nos ajudou a encontrar nossas vozes distintas e a aprender mais profundamente sobre R&B e Soul, e passar um tempo em Nashville, Miami e até San Diego nos deu uma perspectiva mais ampla sobre os possíveis fãs do VVS e diferentes culturas.

Cada álbum permite que o grupo avance ainda mais em direção a revelar o nosso lado “real” e “$TAY THE NIGHT” é um grande passo nessa direção.

TIME HIT: Houve algo neste projeto que tirou vocês da zona de conforto?

LIWON: Este projeto pareceu uma oportunidade valiosa para sairmos intencionalmente da nossa zona de conforto e experimentarmos algo completamente novo, especialmente porque nosso debut foi produzido e desenvolvido por uma equipe inteiramente coreana e japonesa, enquanto este álbum foi produzido por uma equipe totalmente americana.

Podem parecer detalhes pequenos, mas, na realidade, sair do padrão tradicional dos idols de K-Pop em termos de maquiagem, penteados e tendências de moda é algo muito significativo.

Neste projeto, experimentamos maquiagens coloridas nos olhos que nunca tínhamos usado antes, testamos penteados inesperados e até adotamos estilos mais inspirados na moda americana.

Através de todas essas novas experiências, conseguimos descobrir quais estilos combinavam melhor com cada uma de nós e também encontramos novos lados de nós mesmas ao longo do processo.

Algumas coisas funcionaram, outras fizeram parte de um aprendizado, mas agora nos sentimos muito mais confortáveis misturando uma estética híbrida entre o K-Pop e o estilo ocidental.

TIME HIT: Existe algo na cultura brasileira que vocês têm curiosidade ou gostariam de experimentar?

LIWON: Existem muitas coisas que gostaríamos de experimentar no Brasil! Em especial, gostaríamos muito de vivenciar pessoalmente a atmosfera dos festivais brasileiros e a cultura de performances, além de passar um tempo nos comunicando com os fãs locais.

Como artistas musicais, sabemos que o samba é uma parte essencial da cultura brasileira (assim como a dança), então aprender esse gênero de forma autêntica com brasileiros seria incrível e talvez possamos até incorporá-lo em futuros lançamentos!

TIME HIT: Sabemos que vocês têm muitos fãs no Brasil. O que torna esse público especial para vocês?

LIWON: Os fãs brasileiros são realmente muito especiais para nós e nos dão muita força, especialmente porque foram alguns dos primeiros fãs a apoiar verdadeiramente o VVS durante a era de “D.I.M.M.”.

Antes mesmo de outros fãs perceberem que existíamos, os fãs brasileiros já estavam ao nosso lado. Houve uma época em que 80% da nossa seção de comentários estava em português!

Mesmo sem ainda termos tido a chance de encontrar vocês pessoalmente, conseguimos sentir genuinamente todo o apoio apaixonado e o carinho que vocês nos enviam de tão longe. Sem dúvidas, os fãs brasileiros são os que mais comentam, sempre expressando o desejo de que visitemos o Brasil.

É realmente muito significativo para nós saber que o Brasil quer nos conhecer e vivenciar nossa cultura de perto. Esperamos de verdade que um dia possamos encontrar vocês pessoalmente, nos comunicar diretamente e criar memórias incríveis juntos.

Videoclipe Oficial de “DA$H”(Créditos: Reprodução/VVS OFFICIAL/Youtube). 

Siga VVS nas redes sociais:

Instagram: @vvssodvs

Youtube: @VVSSODVS 

TikTok: @vvssodvs

X:@VVSSODVS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *