Entrevista, booking, tradução: Guto Togo
Design: Jessica Fernandes
Para o cantor japonês Rol3ert, a música não serve para oferecer respostas prontas, mas para transformar sentimentos difíceis de explicar em experiências capazes de ressoar em cada um. Em “Kodoku”, seu primeiro EP com um título em japonês, o artista mergulha na solidão não como um destino, mas como um caminho de autoconhecimento e renovação.
Em conversa exclusiva, ele fala sobre o processo criativo por trás do projeto, a importância de enfrentar os próprios medos, sua visão sobre a nova geração de artistas japoneses e o desejo de, em breve, agradecer pessoalmente aos fãs brasileiros.
Confira a entrevista completa para à HIT! Magazine:
TIME HIT: O título “Kodoku” significa “solidão”. Por que você escolheu esse tema como o centro do seu primeiro EP?
Rol3ert: Costumo começar minhas músicas pela base instrumental. Quando criei essa faixa pela primeira vez, por algum motivo a palavra “Kodoku”, escrita em romano, veio à minha mente naturalmente e decidi mantê-la. Foi uma palavra que surgiu espontaneamente a partir da paisagem e das sensações que senti ao ouvir a música.
TIME HIT: Este é o seu primeiro trabalho com um título em japonês, representando uma grande mudança. Como você acredita que isso impacta sua carreira daqui para frente?
Rol3ert: Tanto o som quanto o conteúdo da música representam o início daquilo que eu realmente quero fazer. Sinto que essa faixa é como o broto de uma nova direção artística. Por isso, acredito que ela marca o começo de uma nova fase na minha carreira, uma etapa na qual eu já estou.
TIME HIT: Qual é a principal mensagem que você deseja transmitir através da sua música?
Rol3ert: Eu sempre tento transformar em música os sentimentos e ideias que são difíceis de materializar. Por isso, não acho que seja possível resumir tudo em uma única mensagem. Além disso, cada pessoa interpreta uma música de uma forma diferente. Então, não existe uma única coisa que eu queira transmitir. O que eu realmente espero é que, no fim, minhas músicas possam se tornar um espaço seguro para quem as escuta.
TIME HIT: Ao ouvir o “Kodoku EP” do começo ao fim, que tipo de sentimento você gostaria que os ouvintes experimentassem?
Rol3ert: Não sei exatamente quais sentimentos as pessoas terão, nem gosto de dizer como elas deveriam ouvir minhas músicas. O ideal é que cada um consiga conectar essas canções à própria história e, de alguma forma, sentir que elas ressoam dentro de si.
TIME HIT: Como você enxerga a importância de reconhecer os próprios medos e enfrentá-los?
Rol3ert: Pessoalmente, acho que o momento em que reconheço meus medos é, curiosamente, o mais tranquilo. Claro que não é confortável e continua sendo assustador, mas, depois de reconhecê-los, resta apenas encontrar a saída.
TIME HIT: Se tivesse que recomendar apenas uma música do EP, qual seria e por quê?
Rol3ert: Sinceramente, não consigo escolher. As faixas “Kodoku” e “Aftertaste” têm qualidades diferentes, mas ambas são muito profundas e carregam aquilo que realmente quero expressar como artista. Então, gostaria que as pessoas ouvissem as duas.
TIME HIT: Na gravação de “Kodoku”, vocês fizeram experimentos curiosos, como usar uma panela para criar sons. Como surgiu essa ideia?
Rol3ert: Um baterista chamado Yocchi participou da gravação. Um dia encontrei no Instagram um vídeo dele usando uma panela como parte da gravação e resolvemos experimentar também. A ressonância criada dentro da panela produz um som que lembra uma distorção analógica.
TIME HIT: Em “Kodoku”, você parece aceitar suas próprias fragilidades em vez de escondê-las. Depois de concluir esse EP, qual foi a maior descoberta que teve como artista e como pessoa?
Rol3ert: O que mais me surpreendeu foi que, apesar de ter expressado minha própria solidão, quando terminei o trabalho senti uma enorme sensação de leveza. Acho que isso aconteceu porque, ao encarar minha solidão de frente, consegui encontrar uma saída.
TIME HIT: Você trabalha com artistas da sua geração que possuem uma visão global. Como enxerga o papel dos artistas japoneses no cenário internacional atualmente?
Rol3ert: Acho que esse papel ainda não está totalmente definido. Cada artista segue um caminho diferente, mas justamente essa diversidade, tanto na música quanto na forma de produzir e se expressar, é uma das maiores qualidades do Japão. Acredito que, no futuro, isso acabará se consolidando como uma identidade própria.
TIME HIT: Se tivesse que resumir sua carreira atual em uma palavra (ou poucas palavras), qual seria? Por quê?
Rol3ert: “Impulso.”, porque procuro me entregar completamente aos meus impulsos quando estou criando e me expressando.
TIME HIT: Como costuma passar seu tempo livre? Tem algum hobby ou talento escondido?
Rol3ert: Ultimamente tenho assistido a muitos filmes. Um hobby pouco conhecido é que eu praticava esgrima. Hoje já me aposentei das competições, mas, de vez em quando, ainda atuo como treinador.
TIME HIT: Se tiver a oportunidade de se apresentar no Brasil, qual seria a primeira experiência que gostaria de viver?
Rol3ert: Gostaria de vestir a camisa da seleção brasileira em algum momento e ver qual seria a reação das pessoas.
TIME HIT: Por fim, deixe uma mensagem para os fãs.
Rol3ert: Ainda é difícil acreditar que existam pessoas ouvindo minha música do outro lado do planeta. Prometo que um dia vou pessoalmente agradecer a todos vocês. Então, esperem só mais um pouquinho.
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