Entrevista, booking, tradução: Guto Togo
Design: Jessica Fernandes
Entre o romance, o sobrenatural e as investigações policiais,a série tailandesa Khom Khlang apresenta uma história em que a razão e a fé se encontram, dando origem a uma conexão marcada pelo destino e por sentimentos profundos.
Em entrevista exclusiva com as atrizes Puinoon e Bint destacam a evolução do relacionamento entre Pheem e Bulan, mostrando como o amor vai além do romance e se manifesta na proteção, no acolhimento e na capacidade de encontrar um lar na outra pessoa. Entre histórias divertidas dos bastidores e reflexões sobre fé, destino e cultura tailandesa, as duas compartilham ainda uma mensagem especial para o público brasileiro.
Uma conversa sobre os encontros que transformam vidas, os laços que desafiam o destino e a magia de contar histórias capazes de atravessar fronteiras.
Confira a entrevista completa para à HIT! Magazine:
TIME HIT: A série Khom Khlang combina romance, mistério, drama e elementos sobrenaturais. O que mais chamou a atenção de vocês quando conheceram a história pela primeira vez?
PUINOON: O que mais despertou meu interesse foi a diferença entre o mundo das crenças e o mundo da realidade. Principalmente a personagem Pheem, que é uma policial que acredita em provas e na razão, mas acaba tendo que enfrentar acontecimentos sobrenaturais que não consegue explicar.
Além disso, Khom Khlang reúne um pouco de tudo: ação, mistério, ocultismo, romance e sentimentos de vingança. Todos esses elementos se misturam de uma maneira muito interessante e cativante.
BINT: O que mais me interessou foi a relação entre a policial e a mestra espiritual. As duas personagens são muito diferentes, e Mae Khru Bulan é uma personagem misteriosa, que desperta muita curiosidade.
O que mais me atraiu foi o contraste entre uma mulher serena, profundamente ligada às suas crenças, e una policial que se guia pela razão. Quando esses dois mundos se encontram, nasce uma história de amor profunda e única.
TIME HIT: A série apresenta dois mundos muito diferentes: o de Pheem, uma policial que acredita apenas naquilo que pode ser comprovado, e o de Bulan, que possui conhecimentos sobre magia e práticas místicas. Como vocês trabalharam para representar esse contraste?
PUINOON: Tentei retratar a policial Pheem como uma mulher firme, séria e que confia nas evidências. Ela valoriza o que é correto e a justiça. Porém, ao conhecer a mestra espiritual e se deparar com acontecimentos que a ciência não consegue explicar, ela começa, aos poucos, a abrir sua mente. Por isso, dei bastante atenção à evolução da maneira como a personagem pensa e sente ao longo da história.
BINT: Bulan é uma mulher tranquila, equilibrada e que não demonstra seus sentimentos diretamente. Por isso, trabalhei o ritmo da fala, os movimentos, o olhar e até a respiração para transmitir sua serenidade, sua presença imponente e também sua compaixão.
Embora a policial Pheem e a mestra espiritual Bulan tenham visões de mundo diferentes, aos poucos elas aprendem uma com a outra e se complementam.
TIME HIT: A história envolve balas encantadas, espíritos e destino. Se vocês pudessem escolher um dos elementos sobrenaturais da série para experimentar na vida real, qual seria e por quê?
PUINOON: Eu escolheria o poder de um amuleto capaz de proteger as pessoas que amo. A policial Pheem precisa enfrentar perigos e perdas. Se existisse algo que realmente pudesse proteger nossa família ou as pessoas importantes para nós, seria algo maravilhoso.
BINT: Eu escolheria a ideia do destino ou de encontrar uma pessoa com quem temos uma conexão especial, alguém que parece destinado a fazer parte da nossa vida. Afinal, encontrar alguém que nos compreende, nos aceita e permanece ao nosso lado pode transformar nossa vida. Para mim, essa também é uma forma de magia.
TIME HIT: O conceito de khu bun, apresentado na história como uma conexão entre duas pessoas destinadas a ficar juntas, têm um papel importante no relacionamento de Pheem e Bulan. O que vocês pensam sobre a ideia de encontrar alguém que parece estar destinado a fazer parte da nossa vida?
PUINOON: Encontrar alguém capaz de transformar nossa vida é algo muito bonito. Para Pheem, Bulan não é apenas a pessoa que ela ama, mas também alguém que a faz descobrir novamente o significado da palavra “lar”.
Depois de ser alguém que precisou carregar tantas dores, encontrar uma pessoa com quem possa se sentir segura e ser verdadeiramente ela mesma talvez seja o significado de khu bun.
BINT: Na minha visão, khu bun não significa apenas duas pessoas que estão destinadas a se amar, mas também alguém que transforma nossa vida para melhor.
Bulan sempre cuidou dos outros, até que conheceu a policial Pheem e descobriu que ela também poderia ter alguém ao seu lado, alguém com quem pudesse descansar o coração e encontrar conforto.
TIME HIT: Pheem é uma policial determinada que, inicialmente, não acredita em magia. Qual foi o maior desafio ao interpretar uma personagem que precisa questionar tudo aquilo em que sempre acreditou?
PUINOON: O maior desafio foi transmitir a transformação de alguém que confia plenamente nas provas e na razão para uma pessoa que começa a abrir a mente e aceitar aquilo em que nunca acreditou.
Pheem carrega feridas emocionais causadas pelas perdas em sua família. Ela sente dor, raiva e também tem uma grande necessidade de descobrir a verdade. Por isso, precisei mostrar que, por trás de toda a sua força, existe também uma vulnerabilidade escondida.
TIME HIT: Bulan herdou uma tradição mágica de sua família e passou a vida esperando encontrar sua pessoa destinada. Como acha que essa longa espera influenciou no desenvolvimento da personalidade e sentimentos?
BINT: Na minha visão, Bulan é uma mulher “solitária, mas forte”. Ela passou por muitas experiências ao longo da vida e acabou escolhendo guardar seus sentimentos por trás de uma aparência serena, embora seu interior esteja repleto de amor.
Essa longa espera fez com que ela se tornasse uma mulher ponderada, paciente e que carrega certa solidão. Quando conhece a policial Pheem, é como se alguém abrisse uma nova dimensão em sua vida. Assim, uma mulher que sempre cuidou dos outros começa a desejar também ter seu próprio amor e sua própria felicidade.
TIME HIT: Pheem e Bulan têm maneiras muito diferentes de enxergar o mundo. Vocês encontraram alguma semelhança pessoal entre vocês mesmas e suas personagens?
PUINOON: Acho que eu e a policial Pheem somos parecidas porque não desistimos facilmente. Quando temos um objetivo, nos esforçamos até conseguir alcançá-lo. Mas nossas personalidades são muito diferentes. Na vida real, sou alegre, brincalhona e um pouco desajeitada, enquanto Pheem é séria, ponderada e decidida. Por isso, precisei treinar uma nova maneira de andar, tom de voz, postura e até a forma de pensar para interpretar a personagem.
BINT: Eu e Bulan somos praticamente opostas! Penso rápido, ajo rápido e sou muito direta ao falar. Já Bulan pensa antes de falar, mantém a calma e se comunica por meio de sua serenidade.
Interpretar essa personagem me ensinou a viver mais o presente, controlar minhas emoções e compreender que, às vezes, nossas ações também são capazes de transmitir sentimentos.
TIME HIT: Na opinião de vocês, o que torna a conexão entre Pheem e Bulan tão especial, além da ideia de que são duas pessoas destinadas a ficar juntas?
PUINOON: O que torna essa relação especial é o fato de uma se tornar um porto seguro para a outra. A policial Pheem passou por muitas perdas, mas Bulan está sempre cuidando dela, desde as pequenas coisas do dia a dia até os momentos mais difíceis. Para Pheem, Bulan é a pessoa que a faz sentir que sempre existe um “lar” para onde pode voltar.
BINT: Acredito que seja a maneira como uma complementa a outra. Bulan está sempre protegendo as outras pessoas, enquanto Pheem tem sentimentos muito intensos e está sempre disposta a lutar por quem ama.
Essa relação não é feita apenas de momentos românticos e carinhosos, mas também de proteção, sacrifícios e de permanecer ao lado uma da outra nos momentos em que estão mais vulneráveis.
TIME HIT: Durante as gravações, houve alguma cena entre vocês que ajudou a compreender melhor a relação entre suas personagens ou mudou a maneira como enxergavam a história de amor delas?
PUINOON: As cenas relacionadas às perdas e aos momentos em que a policial Pheem está ao lado de Bulan me ajudaram a compreender melhor essa relação.
Pheem tenta ser forte e carregar tudo sozinha, mas, quando está com Bulan, consegue se permitir demonstrar suas fraquezas. Isso mostra que até mesmo as pessoas mais fortes precisam de alguém que as compreenda.
BINT: Para mim, foi a cena em que Bulan vai conhecer a mãe da policial Pheem. Até então, Bulan era quem sempre protegia Pheem. Mas, ao enfrentar a rejeição da família, Pheem acaba assumindo o papel de proteger Bulan, mesmo tendo que falar enquanto chora.
Essa cena me fez perceber que o amor vai muito além do romance. É também escolher permanecer ao lado uma da outra, especialmente nos momentos mais difíceis.
TIME HIT: A série combina cenas românticas com momentos sobrenaturais e investigações policiais. Que tipo de cena foi a mais desafiadora para vocês gravarem?
PUINOON: Se tivesse que escolher, diria que foram as cenas românticas! (risos)
Como sou uma atriz iniciante, as cenas românticas foram bastante desafiadoras, pois envolvem muitos detalhes relacionados às emoções, ao ritmo e às técnicas diante das câmeras. Felizmente, a Bint estava sempre me orientando, o que me ajudou a ganhar mais confiança e a me sentir mais segura durante as gravações.
BINT: Para mim, foram as cenas em que Bulan precisava transmitir seus sentimentos sem dizer nenhuma palavra. Era necessário utilizar o olhar, a respiração e a própria serenidade para fazer com que o público compreendesse suas emoções.
Além disso, as cenas de rituais também foram desafiadoras, pois exigiam muita concentração e precisão.
TIME HIT: Como foi o processo de preparação para interpretar essas personagens, considerando que a história envolve tanto uma investigação criminal quanto tradições mágicas?
PUINOON: Fui aprender diretamente com policiais em uma delegacia, estudando desde o trabalho de investigação e prisão até a análise de câmeras de segurança, o uso de algemas, o manuseio de armas e os disparos. Também treinei cenas de ação e luta durante aproximadamente cinco ou seis meses, além de adaptar minha aparência física e personalidade para que o público realmente acreditasse que a personagem, a Pheem, havia passado por um treinamento rigoroso.
BINT: Estudei crenças, rituais, cânticos e a prática de tatuagens tradicionais de proteção (Sak Yant). Também pratiquei meditação, caminhada meditativa e controle da respiração para compreender a serenidade da personagem Mae Khru. Eu queria transmitir ao público não apenas a aura mística da personagem, mas também sua compaixão e humanidade.
TIME HIT: Qual foi a lembrança mais engraçada ou inesperada que vocês tiveram durante as gravações juntas?
PUINOON: Me lembro do momento em que o personagem Sargento Piak caiu da escada no cenário do santuário de Mae Khru (risos). Todos brincaram que aquele deveria ser um lugar de paz e respeito. O ator Man é muito engraçado e gosta bastante de improvisar. Por isso, quando contracenávamos, a parte mais difícil não era decorar as falas, mas conseguir segurar o riso! Às vezes, a própria equipe começava a rir tanto que precisava interromper a gravação.
BINT: Uma vez, durante uma gravação diante da imagem de Por Kae, tentei abrir um potinho de pó utilizado em um ritual, mas ninguém conseguia abri-lo. O diretor brincou dizendo para eu tentar recitar uma oração. Então recitei um encantamento de que se lembrava e, surpreendentemente, o potinho abriu imediatamente! Todos se entreolharam. rapidamente fiz uma reverência em sinal de respeito e coloquei o potinho de volta (risos).
TIME HIT: Para os espectadores internacionais que talvez não estejam familiarizados com algumas das referências culturais presentes na série, o que vocês esperam que eles descubram ou aprendam ao assistir a Khom Khlang?
PUINOON: Gostaria que os espectadores conhecessem outro lado da cultura tailandesa, especialmente as crenças, a fé e as práticas ligadas ao ocultismo que fazem parte do cotidiano de algumas pessoas. Também espero que percebam que, independentemente da cultura de origem, sentimentos como amor, perda, esperança e a luta por pessoas importantes são universais e podem ser compreendidos por todos.
BINT: Gostaria que os espectadores conhecessem a diversidade das crenças tailandesas por meio dos rituais, das tatuagens tradicionais Sak Yant e dos cânticos. Na série, esses elementos não estão relacionados apenas ao medo, mas também à fé, à consciência, à compaixão e às relações humanas. Espero que o público se divirta e, ao mesmo tempo, descubra um novo lado da cultura tailandesa.
TIME HIT: O cenário de Phop Phra, na província de Tak, desempenha um papel importante na história. Como esse ambiente contribui para a atmosfera misteriosa da série?
PUINOON: A atmosfera dos locais é muito importante para o universo de Khom Khlang. A natureza, o modo de vida e as crenças das pessoas ajudam a criar uma sensação de mistério e curiosidade. Quando a investigação criminal se mistura com elementos do ocultismo, isso faz com que o público se envolva ainda mais na busca pelos segredos da sargento Pheem.
BINT: A tranquilidade da natureza e a atmosfera ligada às crenças locais ajudam a criar um universo místico para a personagem Mae Khru. A fotografia e a direção de arte combinam mistério, romance e elementos sobrenaturais, tornando esse ambiente ainda mais fascinante.
TIME HIT: O público brasileiro tem demonstrado um interesse cada vez maior por séries e artistas tailandeses. Como vocês se sentem ao saber que pessoas do outro lado do mundo poderão acompanhar a história de Pheem e Bulan?
PUINOON: Estou muito feliz e empolgada por saber que Khom Khlang chegará ao público brasileiro. Esta série representa uma experiência muito importante em minha trajetória como atriz. Saber que fãs de outros países estão interessados faz com que todo o esforço dedicado ao projeto tenha ainda mais significado. Espero que todos se apaixonem pela sargento Pheem e por Mae Khru, e que aproveitem a história de amor, os mistérios e a cultura tailandesa!
BINT: Me sinto emocionada e muito grata. Acredito que o amor é uma linguagem universal. Independentemente do idioma que falamos, todos conseguimos compreender o amor, o sacrifício e o desejo de proteger as pessoas importantes para nós. Espero que o amor entre Pheem e Bulan alcance o coração do público brasileiro!
TIME HIT: Para finalizar, vocês gostariam de deixar uma mensagem aos fãs brasileiros que estão animados para conhecer ou acompanhar Khom Khlang?
PUINOON: Olá, a todos os fãs brasileiros! Estou muito feliz por saber que vocês estão interessados em Khom Khlang. Nós nos dedicamos de coração à atuação, às cenas de ação e à história de amor entre a Pheem e Mae Khru. Espero que todos se divirtam e se emocionem assistindo à série. Conto com o carinho e o apoio de vocês! Amo muito todos vocês e agradeço por todo o amor que vem do Brasil!
BINT: Olá, fãs brasileiros! Muito obrigada por receberem de coração as séries tailandesas e Khom Khlang. Interpretar Mae Khru Bulan foi um papel muito significativo e desafiador para mim. Espero que todos possam sentir o amor, a fé e o encanto da cultura tailandesa por meio da história de Pheem e Bulan. Não importa o quanto estejamos distantes, o amor sempre consegue conectar nossos corações. Muito obrigada! Espero que possamos nos encontrar algum dia!

