Entrevista: Ana Carolina
Booking: Carol Steinert
Texto: Alberta Figueirêdo
Design: Jéssica Fernandes
A música e os videogames compartilham muito em comum: a capacidade de criar universos, conectar pessoas e abrir espaço para diferentes formas de expressão são apenas algumas dessas coisas. Para Ebony, a cultura gamer também é uma importante fonte de inspiração, presente em suas referências visuais, sonoridades e na construção de sua identidade artística.
Essa conexão ganha novos contornos com o ensaio visual da artista inspirado nas novas skins da Ahri K/DA, de League of Legends: Wild Rift. O universo da Riot Games atravessa sua relação com a música, a moda e a própria maneira de enxergar a criatividade.
Em conversa com a HIT!, a rapper Ebony fala sobre a possibilidade de aproximar o rap brasileiro do universo do K/DA, a influência dos animes e dos videogames em sua construção visual e o sentimento de pertencimento encontrado nas comunidades gamer. Uma conversa sobre referências, liberdade criativa e a importância de não precisar justificar aquilo que nos faz felizes.
TIME HIT: Se você recebesse a oportunidade de se juntar com o K/ADA para desenvolver uma colaboração, qual energia e contraste do seu estilo musical e do rap brasileiro você gostaria de misturar nessa colaboração?
EBONY: Acredito que traria sons muito brasileiros, assim, de atabaque, coisas que acontecem bastante nos funks que tem alcance pop global, sabe? Muito do que a Anitta fez também com o Funk Generation, essa sonoridade hiper pop junto com o funk. Eu acho que seria legal rimar nisso num feat com elas.
TIME HIT: De que forma a cultura gamer e dos animes influenciam na sua inspiração visual?
EBONY: Cara, eu acho que de todas as possíveis, porque é um espaço muito, muito forte pra ser lúdico, para não cair nesse papo de que “Ai, nossa, você já tem 20 anos, você já tá velha pra fazer isso, você já tá velha pra jogar joguinho, você já tá velha pra…”. Tipo, não, isso é normal, a gente vai fazer isso até morrer, entendeu? Eu quero jogar joguinhos, me fantasiar, ser feliz e jogar RPG. E a quantidade de estética que somos expostos desde jovem, quando você vai ver um videogame, por exemplo, eu estava revisitando jogos de PS2 e a estética do personagem é incrível. Eu já queria me vestir daquela forma desde que era criança, então isso nutriu muito a imagem artística que eu usei para construir a minha persona até hoje, com certeza.
TIME HIT: Para você, o que faz com que o rap consiga conversar tão organicamente com os eSports?
EBONY: Especialmente sobre a Rito Gomes, pros íntimos, nós íntimos chamamos de Rito Gomes. Mas eu sempre me senti muito acolhida na sensação de comunidade que eles buscam trazer ao longo do mundo desde sempre. É um lugar do tipo onde jovens muitas vezes são desajustados e muitas vezes são objetivos e assertivos de uma forma que as outras pessoas não entendem.
E eu sinto que o mundo game abraça muito isso. Podemos ser competitivos e a gente pode se achar o melhor, sabe? A gente pode gritar, respeita! Então tem esse espaço pra essa assertividade jovial, e pelo menos sempre teve muito espaço pra minha assertividade jovial. Então, especialmente a Riot, ela criou um ambiente onde parou de ser um ambiente virtual e passou a ser uma comunidade mesmo. Podemos fazer amigos, namorados, pessoas que a gente vai conhecer pra vida toda. É uma comunidade, entendeu? E claramente por isso.
TIME HIT: Muitas pessoas ainda consideram o mundo dos games como apenas um hobbie nerd, mas como você considera que a sua presença tanto física quanto virtual no mundo dos games pode mudar essa imagem que as pessoas têm sobre os jogos?
EBONY: Assim, eu não acho que deveríamos estar se preocupando em mudar a imagem que as pessoas têm sobre algo.Acredito que a gente tem que se preocupar em dar o nosso melhor, em sermos nós mesmos sempre de desculpa, em criarmos espaços seguros para que isso aconteça, em sermos gentis, respeitosos com todos, óbvio, mas não em gastar essa energia em fazer os outros entenderem por que a gente é como a gente é ou por que gostamos do que gostamos, sabe? Então, é isso.

