O pior caso de violência sexual já denunciado nos bastidores da TV coreana completará 22 anos em dezembro deste ano. Mesmo após mais de duas décadas, o caso segue sem julgamento. Em 2004, uma estudante de pós-graduação de 29 anos denunciou ter sido vítima de estupro coletivo e assédio sexual enquanto trabalhava como figurante em uma emissora de televisão. A atriz retirou a queixa oito meses depois.
De sobrenome Yang, a estudante havia conseguido o trabalho de meio período graças a sua irmã mais nova. Segundo a mãe da vítima, a atriz teria mudado seu comportamento da noite para o dia após permanecer no trabalho até mais tarde para poder receber o pagamento. Em certos momentos, Yang andava ansiosamente de um lado para o outro sussurrando nomes e dizendo que “deveria matá-los”, o que levou à sua internação em um hospital psiquiátrico onde revelou ter sido violentada.
Em dezembro de 2004, a estudante denunciou quatro agressores e oito assediadores. Devido às ameaças de morte do diretor da emissora e da pressão dos acusados, além da violência também sofrida por policiais, a atriz retirou a queixa em julho de 2005. Um mês depois, Yang cometeu suicídio.
Em setembro de 2005, sua irmã também cometeu suicídio alegando, em carta, sentir saudades e pedindo que a mãe as vingasse. O pai das irmãs sofreu um derrame em novembro do mesmo ano. A mãe luta após 22 anos por um pedido de desculpas e uma investigação da violência que atingiu sua família.
O caso nunca foi investigado como estupro, já que a vítima retirou as acusações. Em 2015, dez anos depois, o Tribunal Distrital Central de Seul afirmou que as denúncias feitas por Yang tinham fundamento. Já em 2018, um dos acusados processou a mãe da vítima por difamação após ela divulgar seu nome publicamente. Para as autoridades, a ação foi interpretada como uma admissão indireta de culpa.
“O tribunal não pode deixar de sentir uma profunda frustração e tristeza pela dor sofrida pela mãe e pela filha, que foi amplificada pelo fracasso desastroso do sistema estatal”, afirmou a justiça na sentença final.
Ainda em 2018, o governo realizou um funeral e uma cerimônia para as duas irmãs. A cerimônia ocorreu no Centro Médico Nacional, com homenagem prestada pela Ministra da Igualdade de Gênero, Jung Hyun Baek que garantiu que o ministério cuidaria para que a tragédia não se repetisse.
Desde 2019, a mãe expõe os supostos agressores de sua filha através de vídeos no Youtube. O canal agora bloqueado, ainda possui os vídeos de anos atrás.
No final de 2025, uma petição, com 50 mil assinaturas, que solicitava uma nova investigação do caso foi apresentada à Assembleia Nacional e encaminhada à Comissão Parlamentar de Segurança e Administração Pública no início deste ano.
Até o momento, a Comissão Parlamentar não apresentou uma resposta oficial. Enquanto isso, a mãe de Yang continua lutando para esclarecer o que aconteceu com a filha em 2004 e para que os responsáveis sejam devidamente punidos.
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