Em um dos movimentos mais grandiosos e ousados dos últimos tempos, os integrantes do BTS divulgaram um comunicado oficial em suas contas individuais do Instagram se posicionando contra o Grammy: “Decidimos não submeter nosso trabalho para o Grammy Awards deste ano. Esperamos que a música seja reconhecida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma. Obrigado, como sempre, ao ARMY e a todos que nos apoiam.”
A decisão ocorre após a Recording Academy ter introduzido uma nova categoria “APMP” (Música Pop Asiática), uma medida que causou muita controvérsia nas redes e que muitos críticos da indústria interpretam como uma tentativa de segregar a música não-ocidental das categorias principais do Grammy. Os garotos seguem os passos de The Weeknd, que parou de submeter sua música desde 2021.
Em uma entrevista recente, Jungkook havia declarado: “Nosso status está aí, independentemente de ganharmos um Grammy ou não.”
A HYBE esclareceu que essa decisão não afeta outros artistas da agência: “Isso não é um boicote em nível de empresa. Se outros artistas da mesma afiliação desejarem participar, eles seguirão conforme o programado.”
Críticos da música destacam há meses que “ARIRANG“, o mais novo projeto do grupo, possuía forte possibilidade de indicações para as grandes categorias da noite, como Álbum do Ano.
Críticos apontam um padrão preocupante nas decisões da Academia de Gravação. A organização adicionou uma categoria latina depois que Bad Bunny venceu o Álbum do Ano e foi indicado a Música e Gravação do Ano.
A nova categoria “Melhor Canção Latina” também estabeleceu um critério que, na prática, exclui o mercado brasileiro da disputa pois segundo o novo regulamento, o prêmio exige que, no mínimo, 51% da letra esteja em espanhol.
É assim que a história se repete: quando artistas de fora do eixo anglo-saxão começam a dominar o palco principal e parecem prontos para serem julgados pelos mesmos critérios que todos os outros, as regras de alguma forma mudam e criam-se categorias separadas para mantê-los à margem.
E também é assim que a indústria muda, não quando os artistas se curvam ao sistema, mas quando se recusam a validar um jogo que foi feito para mantê-los excluídos.

