Banner BTS World Tour
HIT!News, Política, Sociedade

Coreia do Sul ameaça novas medidas contra Ucrânia após disputa sobre prisioneiros norte-coreanos

A relação entre Coreia do Sul e Ucrânia atravessa um novo momento de tensão após uma disputa envolvendo a transferência de dois soldados norte-coreanos capturados enquanto combatiam ao lado das forças russas. Nesta sexta-feira (2), o presidente sul-coreano Lee Jae Myung afirmou que Seul poderá adotar novas medidas contra Kiev caso o governo ucraniano não reconheça o acordo de confidencialidade que, segundo a Coreia do Sul, havia sido estabelecido entre os dois países e não apresente um pedido público de desculpas.

Em uma publicação nas redes sociais, Lee afirmou que a Ucrânia havia solicitado que o processo de repatriamento dos prisioneiros fosse mantido em sigilo e que a Coreia do Sul havia concordado com a condição. Segundo o presidente, a divulgação posterior da transferência teria ocorrido de forma unilateral. Lee também criticou a negativa ucraniana sobre a existência de um acordo, afirmando que a postura teria colocado em dúvida a credibilidade do governo sul-coreano. Reuters confirmou nesta sexta-feira que Seul está considerando medidas adicionais e que o governo sul-coreano continua cobrando um pedido de desculpas de Kiev.

A origem da disputa remonta a setembro, quando o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky revelou, durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, que os dois soldados norte-coreanos capturados pela Ucrânia haviam sido transferidos para a Coreia do Sul. Os militares haviam sido capturados na região russa de Kursk em 2025, enquanto combatiam ao lado das forças russas. Segundo autoridades sul-coreanas, os dois manifestaram repetidamente o desejo de permanecer na Coreia do Sul.

A questão da confidencialidade passou então a ser o principal ponto de divergência entre os dois governos. Seul afirma que havia um entendimento para que a transferência não fosse divulgada, enquanto autoridades ucranianas inicialmente contestaram a existência de um acordo formal de não divulgação. Em 30 de setembro, porém, a Agência Nacional de Inteligência da Coreia do Sul afirmou ao Parlamento que a Ucrânia havia sido a primeira parte a solicitar que a transferência fosse mantida em sigilo, citando preocupações relacionadas às futuras negociações de troca de prisioneiros com a Rússia.

Em 22 de junho, o Korea Times publicou um artigo, informando que Seul e Kiev já haviam chegado a um “acordo básico em princípio” sobre os dois prisioneiros e que o então ministro sul-coreano das Relações Exteriores, Cho Hyun, esperava avançar nas negociações durante uma reunião com o chanceler ucraniano Andrii Sybiha. A reportagem também destacava que a transferência deveria respeitar a vontade individual dos soldados. 

O episódio ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, adotou um tom mais conciliatório e classificou a situação como um “mal-entendido diplomático”, evitando tratá-la como um incidente. Segundo informações divulgadas pela imprensa sul-coreana com base em declarações do chanceler, Sybiha afirmou que a Ucrânia considera a Coreia do Sul um país importante e deseja resolver a situação o mais rapidamente possível. Ele também afirmou que tem mantido contato direto com o ministro sul-coreano das Relações Exteriores nos últimos dias. 

A declaração ocorre enquanto Lee Jae Myung aumenta a pressão sobre Kiev. Em sua publicação, o presidente sul-coreano também reagiu a declarações ucranianas relacionadas a um possível confronto militar entre as duas Coreias. Lee afirmou que Seul vê com preocupação qualquer manifestação que possa ser interpretada como incentivo a um conflito na Península Coreana e declarou que o governo não pretende deixar a questão sem resposta caso a Ucrânia continue rejeitando a existência do entendimento de confidencialidade. A Reuters também registrou a ameaça de Seul de adotar medidas não especificadas caso não haja reconhecimento do acordo e um pedido de desculpas. 

Apesar da tensão, as declarações mais recentes de Kiev indicam que o governo ucraniano busca evitar uma deterioração maior das relações bilaterais. Sybiha afirmou que deseja preservar a cooperação entre os dois países, enquanto os contatos entre os respectivos chanceleres continuam. O caso, portanto, permanece em negociação diplomática, com Coreia do Sul e Ucrânia apresentando versões diferentes sobre o que foi acordado em relação à confidencialidade da transferência dos prisioneiros.

Fonte: (1), (2), (3), (4), (5)

About Author

Técnica em Multimídia formada pelo SENAC. Escritora de romances, apaixonada por K-Pop, K-Culture, música, séries e filmes. A vida é capaz de nos inspirar diariamente!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *