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Identidade, vulnerabilidade e a força de encontrar a própria voz – Entrevista RIVA

Entrevista, booking, tradução: Guto Togo

Design: Jessica Fernandes

Entre experiências internacionais, influências do hip hop global e uma busca constante por autenticidade, RIVA vem construindo uma identidade artística marcada pela sinceridade emocional e pela mistura de culturas. Nascida na província de Aichi (Japão) e formada em um ambiente multicultural, a artista transforma vivências pessoais, conflitos e reflexões em letras que transitam entre vulnerabilidade e autoconfiança.

RIVA fala sobre o significado de seu novo single “TONIGHT”, os desafios de ser mulher em uma indústria ainda dominada por homens e o papel da autoconfiança na construção de sua carreira. E A artista conta que sua música se tornou mais pessoal desde o lançamento do EP “GO UP”, passando de uma fase focada em provar seu valor para um momento em que consegue expressar vulnerabilidade e emoções mais profundas. Suas letras, segundo ela, surgem inicialmente como uma forma de processar sentimentos, mas acabam se transformando em mensagens com as quais outras pessoas podem se identificar.

Confira a entrevista completa para à HIT! Magazine:

TIME HIT: Você lançou recentemente o single “TONIGHT.” Qual é a principal mensagem que deseja transmitir com essa faixa?

RIVA: “TONIGHT” fala sobre a sensação de se despedir de alguém que significou muito para você. Eu quis expressar a tristeza de uma história que termina sem um encerramento, como um filme que é interrompido antes mesmo de os créditos começarem.

TIME HIT: Ao analisar a letra de “DIVA”, qual você acredita ser o maior desafio de ser mulher em um cenário que ainda é majoritariamente dominado por homens? Nesse contexto, quão importante é manter a autoconfiança e acreditar nos próprios sonhos?

RIVA: O maior desafio, sinceramente, é ser levada a sério. Às vezes, como mulheres, espera-se que nos encaixemos em um estereótipo ou que precisemos provar nosso valor duas vezes mais.

Minha música “DIVA” fala justamente sobre autoconfiança. É sobre assumir minha identidade e fazer isso sem pedir desculpas. Às vezes, você precisa ser sua própria incentivadora, porque ninguém mais fará isso por você. Acredito que permanecer fiel a quem você é é a verdadeira chave para a autoconfiança.

TIME HIT: Desde o lançamento do EP “GO UP” até agora, o que você sente que mudou na sua música?

RIVA: Desde o lançamento de “GO UP”, sinto que minha música se tornou mais pessoal. Na era de “GO UP”, eu estava muito focada em provar meu valor para o mundo. Mas agora acho que melhorei bastante na forma de expressar vulnerabilidade e sentimentos mais profundos através da minha música. Estou sempre experimentando estilos diferentes para manter meu som fresco, e espero continuar evoluindo como artista.

TIME HIT: O que você gostaria que as pessoas sentissem ao ouvir sua música pela primeira vez?

RIVA: Quero que as pessoas sintam como se estivessem treinando os “músculos internos” do cérebro ao ouvir minha música (se é que isso faz sentido). Mesmo que algumas das minhas músicas soem apenas enérgicas e cativantes, todas vêm de emoções reais e experiências reais. Por isso, significa muito para mim quando alguém diz que se sentiu compreendido ou inspirado ao escutá-las.

TIME HIT: Para quem está conhecendo RIVA pela primeira vez, qual música você recomendaria para começar?

RIVA: Recomendo que comecem por “GO UP”. É, pessoalmente, minha música favorita de tudo o que já fiz até agora.

TIME HIT: Em suas letras, você frequentemente fala sobre experiências e conflitos vividos fora do Japão. Em que momento decidiu transformar essas vivências em música?

RIVA: Estudei no Canadá por três anos e voltei ao Japão na época em que a COVID começou e a quarentena foi decretada. Naquele momento, eu me sentia muito desconectada de tudo e perdi a paixão por coisas pelas quais antes era realmente apaixonada, então comecei a procurar algo novo.

Fiz aulas de dança e canto quase todos os dias durante cerca de dois anos, e simplesmente me apaixonei por isso. Foi então que decidi seguir a música de forma definitiva e começar a escrever rap.

TIME HIT: Escrever letras é mais uma forma de processar emoções ou de se posicionar no mundo?

RIVA: Quando começo a escrever, geralmente é para processar minhas emoções, mas conforme continuo, começo a entender a mensagem maior que estou tentando expressar. Sempre procuro colocar esses sentimentos de uma maneira com a qual qualquer pessoa possa se identificar.

TIME HIT: Você nasceu na província de Aichi, mas teve uma formação bastante internacional desde cedo. Como essa mistura cultural moldou quem você é hoje?

RIVA: Eu definitivamente não seria a mesma pessoa se não falasse dois idiomas. Às vezes parece que existem duas mentes dentro de mim (uma em japonês e outra em inglês). As pessoas até dizem que eu ajo e falo de maneira diferente dependendo do idioma que estou usando. E acho que isso acontece porque aprendi cada língua dentro de contextos culturais específicos. Acredito que essa seja uma das razões pelas quais consigo expressar meus sentimentos de formas tão diversas na minha música.

TIME HIT: Ter estudado em uma escola internacional desde jovem mudou a maneira como você se enxerga como artista japonesa?

RIVA: Com certeza influenciou. Eu não passei por todo o sistema escolar tradicional japonês, então cresci naturalmente cercada por pessoas de diferentes culturas. Sempre ouvi as músicas que meus amigos ouviam, principalmente pop e hip-hop ocidentais dos anos 2010.

Por isso, quando comecei a trabalhar com produtores japoneses, eles diziam que meu flow soava novo ou diferente, provavelmente vem dessa mistura de culturas com a qual cresci.

TIME HIT: Que conselho você daria a jovens que vivem entre culturas e ainda estão tentando encontrar sua própria voz?

RIVA: Nunca tenha medo de tentar coisas novas! Descubra o que te empolga e continue aprimorando seu talento, porque essa paixão vai te guiar para um lugar onde sua voz possa ser ouvida. Para mim, a música me deu um senso de pertencimento e me ajudou a provar que minha voz importa neste mundo

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TIME HIT: A cena do hip-hop asiático, incluindo a do Japão, tem ganhado atenção global. Como você gostaria de contribuir para o crescimento e a visibilidade desse movimento?

RIVA: Quero ajudar a trazer mais individualidade e diversidade cultural para a cena do hip-hop asiático. Uma das forças de ser uma artista bilíngue é poder conectar a música japonesa a um público global e mostrar que artistas asiáticos também podem criar algo único, capaz de ser ouvido no mundo todo. Meu objetivo é inspirar mais jovens artistas a acreditarem que sua voz pode alcançar o mundo.

TIME HIT: Falando em hip-hop, a arte urbana é muito forte e popular no Brasil. Você conhece algum artista brasileiro? Se sim, quem?

RIVA: Ainda não explorei muito a arte urbana brasileira, mas adoraria aprender mais sobre isso! É algo que realmente me interessa.

TIME HIT: Quando tiver a oportunidade de visitar o Brasil, qual seria a primeira experiência cultural que gostaria de vivenciar?

RIVA: Eu adoraria vivenciar o samba. Já vi em vídeos e parece tão festivo e vibrante. Gostaria muito de ver ao vivo.

TIME HIT: Por fim, você poderia deixar uma mensagem para seus ouvintes brasileiros?

RIVA: Olá, muito obrigada por ouvirem minha música. Significa muito para mim saber que minhas canções estão chegando até pessoas no Brasil. Tenho muitos projetos novos vindo por aí e mal posso esperar para compartilhá-los com vocês.

Obrigada e espero poder encontrá-los um dia. Amo vocês demais xxx

Video Oficial de “ACHOO” (Créditos: Reprodução/RIVA_OFFICIALchannel/Youtube

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