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HIT!Leituras: A beleza feminina como armadilha em “O lamento dos rios”

Texto: Camila Corrêa Amorim 
Revisão: Adê Moura
Design: Mafê

Publicado no segundo semestre de 2025 pela Editora Alt aqui no Brasil, “O lamento dos rios” (“A song drown rivers”) de Ann Liang é bem diferente de seus romances escolares anteriores, que a maioria dos leitores amantes da cultura asiática já conhece.

Este lançamento mais recente tem como sua maior inspiração uma lenda muito popular na China, cuja autora revelou ouvir de sua mãe durante a infância. Em entrevista ao The Fantasy Hive, Ann Liang contou que começou a escrever seu livro depois de assistir a um documentário sobre a lenda de Xishi, conhecida como a primeira das Quatro Beldades da China do século V a.C., uma mulher de beleza incomparável que foi treinada e enviada ao reino inimigo como arma secreta para ajudar a destruí-lo.

“Quando escrevi o livro, imaginei Xishi como uma jovem em um ambiente estrangeiro, que precisa vigiar cada movimento seu, fingir ser algo que não é e esconder seus verdadeiros sentimentos”, contou a autora nessa mesma entrevista. “Existem muitas versões diferentes da história dela, e esse período da história chinesa (o período da Primavera e Outono) é extremamente fascinante como um todo.”

Assim como na lenda que inspirou essa história, a protagonista de “O lamento dos rios” também é chamada de Xishi, e sua beleza é descrita como lendária. Há quem diga que as flores de lótus do jardim de sua mãe estremeceram quando ela nasceu, envergonhadas por terem sua formosura ofuscada. Exagero? Pode até ser. Mas da mesma forma que essa beleza é encantadora, Xishi sabe que ela também pode ser sua maior fraqueza. Às vezes, garotas bonitas como ela simplesmente desapareciam. Eram sequestradas, assassinadas e negociadas entre homens, principalmente depois da guerra, quando o povo Yue teve seu reino invadido pelos inimigos, os Wu.

Quando o conselheiro real de Yue, Fanli, conhecido por sua mente mais afiada que espadas e beleza mais preciosa que pedras de jade, bate à sua porta com uma proposta um tanto quanto única para Xishi e sua família, a jovem se vê em um dilema. O rei de Yue deseja fazer um tributo ao rei de Wu: enviar uma noiva para ser mais uma de suas concubinas, juntamente com uma dama de companhia. E Xishi parece perfeita para isso.

Mas essa missão é muito mais difícil do que parece. Na realidade, essa noiva servirá como espiã, reunindo informações cruciais dentro do palácio inimigo, além de distrair e influenciar o rei de Wu, conhecido por ser um tirano devoto apenas aos prazeres que a realeza pode lhe proporcionar. Ela precisará seduzir o rei de Wu a ponto de deixá-lo rendido aos seus pés de corpo e alma, disposto a cumprir qualquer desejo dela, por mais irracional que possa parecer.

Se Xishi aceitar se tornar a peça principal de vingança contra os Wu, terá que deixar sua família para trás imediatamente para aprender a se adaptar depressa aos costumes da nobreza. Caso tudo ocorra de acordo com o plano, ela se tornará lendária não mais por sua beleza, mas por mudar o curso da história de seu povo.

Em “O lamento dos rios”, personagens cativantes e reviravoltas inesperadas se unem à linguagem poética de Ann Liang, com uma tradução lindíssima de Carolina Cândido, nos entregando uma história arrebatadora e emocionante. É impossível não terminar o livro com os personagens pairando na mente como fantasmas, depois de páginas intensas em que a protagonista se sente dividida entre a mente e o coração.

Fontes: (1)

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