Texto: Alberta Figueirêdo
Revisão: Adê Moura
Campina Grande, 02 de março de 2026
Março sempre chega com uma sensação estranha.
Janeiro passou voando e, de repente, aquela lista de metas do vision board, que ficamos eufóricos em fazer e agora fica ao lado da cama, parece nos encarar. A promessa de “esse ano vai ser diferente”. A academia que não começou, o projeto que ficou nos rascunhos e tudo mais soa tão distante — que é estranho estarmos só no terceiro mês do ano. E sinceramente, a sensação que tenho todos os dias é que o mundo grita: você está atrasada!
Mas será?
Enquanto me pego pensando nisso, vejo os anúncios de comeback começarem a dominar as timelines. Teasers, fotos conceituais, trailers misteriosos. EXO iniciando uma nova era. Grupos retomando atividades depois de pausas longas. E o BTS, depois de um hiato que parecia eterno, se preparando para voltar como grupo, reacendendo uma chama que nunca deixou de existir no coração do ARMY.
E então eu percebi: nenhum desses retornos aconteceu antes da hora. Cada grupo teve seu tempo. Seu silêncio. Seu processo. Seus projetos individuais. Seus bastidores invisíveis para o público. O comeback só acontece quando está pronto para acontecer. Por que, então, eu deveria estar pronta antes do meu próprio tempo?
Como fãs, aprendemos a esperar. Aprendemos que o intervalo entre um álbum e outro não significa fim, significa construção. Aprendemos a confiar no processo mesmo quando não sabemos o que vem a seguir. E talvez seja essa a maior lição que o fandom nos dá é: continuar.
Março não é atraso.
É continuidade.
Talvez nossas metas não precisem começar no dia 1º de janeiro às 00h. Talvez nosso recomeço possa acontecer numa terça-feira qualquer, depois de um café demorado ou de uma música que toca no repeat. Se tantos artistas respeitam seus próprios ciclos antes de subir ao palco outra vez, nós também podemos.
E quando o nosso comeback pessoal acontecer, ele não será sobre pressa, será sobre maturidade, intenção e verdade.

