O governo chinês determinou a remoção dos aplicativos de relacionamento Blued e Finka, voltados ao público LGBTQIA+, das lojas de aplicativos da Apple e Google no país. A decisão foi ordenada pela Administração do Ciberespaço da China (CAC), órgão responsável por supervisionar e censurar o conteúdo online no país.
A medida amplia o controle do governo sobre plataformas digitais e reforça a crescente repressão à comunidade LGBTQIA+ na China, onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo permanece ilegal. Organizações e ativistas relatam aumento das restrições a eventos, publicações e espaços de convivência queer nos últimos anos, especialmente sob o governo de Xi Jinping.
Usuários relataram, no último fim de semana, que as versões completas dos aplicativos haviam desaparecido das lojas. Ambos pertencem ao BlueCity Group, empresa com sede em Hong Kong. Segundo a Apple, uma versão limitada do Blued ainda estava disponível temporariamente na App Store chinesa.
“Após uma ordem da Administração do Ciberespaço da China, removemos esses dois aplicativos apenas da loja chinesa. Respeitamos as leis dos países em que operamos”, declarou a empresa à agência AFP.
A Google não se pronunciou sobre o caso até o momento.
O advogado Zhao Hu, que atua na defesa dos direitos LGBTQIA+ na China, classificou a decisão como “inesperada” e “sem explicação clara”. Já Hu Zhijun, cofundador da organização PFLAG China, lamentou a medida, afirmando que os aplicativos “ajudavam homens gays a ter vidas mais estáveis e a encontrar parceiros para relações íntimas”.
O Grindr, outro aplicativo voltado ao público LGBTQIA+, já havia sido banido das lojas chinesas em 2022, durante uma campanha do governo para “controlar conteúdos que difundem uma visão negativa da vida”.
Com a decisão, o acesso a plataformas de encontro e socialização LGBTQIA+ se torna ainda mais restrito na China, onde a vigilância digital sobre temas considerados “sensíveis” segue em expansão.
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