São Paulo, 06 de Dezembro de 2022
Texto por: Mylena Cestari
O nerd brasileiro, seja um apaixonado por livros, por quadrinhos, filmes de aventura ou fantasia, animes, mangás, cosplays, ou mesmo música… Sempre foi um nerd apaixonado. E, a maioria de nós, nerds, sempre sonhou com, um dia, poder viver uma Comic Con, o que, até 2014, era um sonho que demandaria… Viagens internacionais, já que todas as Comic Cons do mundo aconteciam em outros países (a mais famosa, claro, sendo a de San Diego).
Porém em 2014 tudo mudou! E a comunidade nerd brasileira realizou um sonho: Ganhar a própria Comic Con! Graças ao Omelete, e seus mais conhecidos fundadores (o ex-sócio Érico Borgo, Marcelo Forlani e Marcelo Hessel), surgiu a CCXP: Comic Con Experience, que viria a se tornar a maior Comic Con do mundo, e, não somente, uma das mais famosas, principalmente pelo seu astro principal: Os fãs que frequentam o evento!
Nós, que somos brasileiros, sabemos do nosso poder. Sabemos que nenhum outro povo é mais apaixonado ou animado que nós! E fizemos questão de mostrar isso desde a primeira CCXP que tivemos. O evento ano que vêm completa seus 10 anos de existência, entre 7 edições presenciais (2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e agora, em 2022) e 2 edições online devido à pandemia (2020 e 2021), e esse ano foi o grande retorno do evento ao Expo São Paulo (ou Expo Imigrantes), como foi chamado: CCXP Homecoming (CCXP De Volta Ao Lar, uma referência ao filme do Homem Aranha)
E como foi esse glorioso retorno do evento, o primeiro presencial sem o envolvimento de Érico Borgo?
Bom, se eu for dar a minha opinião pessoal… Foi épico!
A CCXP já sabe o que entregar. Quem gosta de andar e participar de atividades, tinha várias opções nos estandes dos estúdios: Fotos em diversas ativações da Barbie (no carro rosa da primeira foto oficial do filme, na caixa da boneca, descendo um escorregador pink e caindo numa piscina de bolinhas, além de ganhar uma make mais que brilhante no salão rosa da Barbie), com cenários de Shazam! e Aquaman, ou correndo numa roda brilhante para se sentir o The Flash! A Warner estava inspirada esse ano!
No estande da HBO MAX, um escape room escuro e cheio de easter eggs e sons de clickers para a série mais aguardada do estúdio (até o momento) no próximo ano, The Last Of Us, uma foto na sala do trono de House Of The Dragon ou no espaço das loucuras de Ricky and Morty!
A Disney tinha vários cenários para fotos e ativações, inspirados em suas estreias futuras e maiores sucessos, como Avatar, A Pequena Sereia, The Mandalorian, Homem Formiga e Vespa: Quantumania e mais!
Mas o destaque para mim, que sou da Hit! Foi a Netflix. De um lado de seu gigante estande, vários cenários para fotos, das suas listras brilhantes e coloridas do famoso “tudum” do começo de todo episódio, à prisão de Sandman, os morcegos do Upside Down de Stranger Things, os portões obscuros e uma “mãozinha” não tão “inha” assim de Wandinha… O lugar estava repleto de referências e cosplayers! E do outro lado… Todo um espaço, imenso, e dedicado à Round 6! O jogo da lula, ou Squid Game, tinha um cenário para fotos, mais duas ativações inspiradas nos mortais jogos da série: O cabo de guerra e o mais famoso jogo de todos… Batatinha frita: 1, 2, 3. Além, é claro, de muitos macacões vermelhos e máscaras com formas geométricas e números identificando os jogadores. simplesmente épico, e me deixando ainda mais ansiosa para a segunda temporada!
Mas, para mim, todo ano, o coração da CCXP é o que mais brilha: O Artist’s Valley, espaço no centro da feira que celebra a arte do quadrinho e dos artistas, como sempre, estava cheio das mais maravilhosas artes e dos mais interessantes novos e independentes quadrinhos. De nomes muito famosos à artistas que merecem conquistar cada dia mais espaço, o Artist’s Valley é um prato cheio para quem ama arte (e cultura asiática! Foi lá onde mais encontrei referências à C-Doramas, KPop, webtoons e mais). Cheio de artes fantásticas e artistas super simpáticos e calorosos, além de tudo, este ano o Artist’s Valley tinha uma experiência interativa própria, quase uma caça ao tesouro: Um álbum de figurinhas!
Funcionava assim: Você adquiria o álbum, e junto deste, ganhava um mapa que marcava as mesas que tinham figurinhas. Então você ia encontrando cada uma dessas mesas e buscando suas figurinhas (pelas quais não se precisava pagar nada a mais), e, além de um álbum cheio de mais ou menos 190 figurinhas lindas, você ainda tinha a oportunidade de conhecer o trabalho de cada um desses artistas. Eu mesma conheci e me encantei com o trabalho de uma quadrinista presente, a autora da hq bl “Pillowtalks”.
Cansou? Pois se prepare, tem mais! Além dos estandes de grandes estúdios, e de um lindíssimo Artist’s Valley…Os palcos estavam de volta, e com tudo! Palco Creators, cheio de influenciadores e músicos nacionais (e da final do famoso Concurso Cosplay Universe), área de games, palco com masterclasses, palco omelete, onde se podia ver de pertinho suas estrelas favoritas, e o grande, imenso, e super famoso… Auditório Thunder by Cinemark.
O Thunder é para nós o que o Hall H é para a San Diego Comic Con. O lugar onde temos pré estreias exclusivas, conteúdo novo, conteúdo exclusivo, astros dos streamings e do cinema nacional e internacional… Com uma capacidade limitada, a disputa é tão grande para se garantir uma chance lá dentro, que os fãs dormem na fila, madrugam, e correm para conseguir ficar pertinho do palco, pertinho de seus ídolos. E por mais que pareça loucura, por mais cansativo que seja… Sempre vale a pena.
Esse ano, a presença de astros como Jenna Ortega (nossa amada Wandinha), Gwendoline Christie (Brienne em GOT, Lúcifer em The Sandman, e a diretora da escola em Wandinha), Noah Centineo (Para Todos Os Garotos que Já Amei), os astros de The Last Of Us, o próprio diretor do MCU, Kevin Feige, as estrelas do próximo filme de aventura Dungeons and Dragons (que incluíam o famosíssimo Hugh Grant, Chris Pine e o próprio Duque de Hastings, Simon Basset, o elenco de Os Anéis do Poder e, ainda no universo d’O Senhor Dos Anéis, o próprio Gimli, John-Rhys Davies, e muito mais, acho que ficou mais do que claro o motivo pelo qual milhares de pessoas se dispõe ao “perrengue chique” de dormir na fila, que fica no estacionamento da São Paulo Expo. E eu, que fiz isso de sexta para sábado, posso dizer: Apesar da falta de um bom sono, da dureza do chão e frieza do lugar, você se esquece de tudo isso no momento em que grita e celebra tudo que só se vive dentro do Auditório Thunder (destaque especial para a presença de Park Hae Soo, de Roud 6 e La Casa de Papel: Coreia, que foi o primeiro coreano a pisar no palco thunder, representando não apenas uma, mas duas séries em que ele absolutamente brilha na Netflix. O homem, além de talentoso, é super carismático e teve uma calorosa recepção dos fãs). E é esse senso de coletividade que se cria ali, de ser fã e estar ao lado de outros fãs, de pessoas tão apaixonadas por você, que faz a CCXP valer a pena.
Eu não vou mentir: A CCXP tem muitos defeitos. Falhas organizacionais, e o privilégio para quem pode investir mais nos ingressos, que, mesmo os mais básicos, são caros, além do valor para consumo de comes e bebes, filas enormes nos poucos banheiros do espaço, e a dificuldade de se conseguir participar das atividades nos estandes (em alguns estúdios, era entrar na fila e rezar, em outros, precisava-se fazer um agendamento em sites instáveis e que esgotaram super rápido, e em outros ainda, havia distribuição de pulseiras em horários aleatórios, o que impediu que muitos, inclusive eu, pudesse ter a chance de participar), são coisas das quais os frequentadores do evento reclamam há anos, mas que parecem não mudar. Mas é inegável que, mesmo com a andança desenfreada ( a CCXP ocupa TODO o espaço da São Paulo Expo, que é imenso, e você quer circular por cada pedacinho do evento – quatro dias de ótimo cardio) e os problemas mencionados acima… Visitar a Comic Con Experience e ser parte desse mundo é simplesmente épico. Os cenários, o dia inteiro respirando seu universo favorito, as oportunidades que se tem… Tudo isso contribui para que, independente de qualquer coisa, você queira voltar no ano seguinte. E você quer. Eu sempre quero. E, um dia apenas após o encerramento do evento de quatro dias (cinco, se contarmos a spoiler night, noite exclusiva para quem adquire o ingresso “epic” ou “full” e para mídia), eu já estou com saudade. Eu já quero mais. E eu mal posso esperar pela chegada da CCXP do ano que vêm.
A CCXP22 foi nostálgica. Foi um excelente retorno para casa, um excelente retorno do grandioso evento ao formato presencial. E agora… Agora é esperar o ano que vem. Esperar o que será ainda mais épico.
E uma presença ainda maior do time Hit! Ano que vem!
