Na terça (28), o jogador de futebol Hwang Ui Jo foi oficialmente afastado pela Korea Football Association (KFA) e está impedido de jogar na seleção nacional da Coreia do Sul após ser acusado de filmar vídeos íntimos sem consentimento.
O escândalo começou em junho quando um vídeo do jogador tendo relações com uma mulher vazou pela internet. A justiça foi acionada pela mulher que alega não ter autorizado a filmagem e jogador rebate as acusações dizendo que ela sabia.
“Claramente disse que não. Eu te pedi para deletar o vídeo. Por que tem um vídeo mesmo depois de eu ter dito não?”, escreve a vítima em mensagem de texto trocada com o jogador.
A polícia segue investigando celulares e computadores do jogador e se ele for considerado culpado, ele terá violado o artigo 14 da Lei sobre Casos Especiais Relativos à Punição de Crimes Sexuais no Ato Penal e pode receber a pena de sete anos em regime fechado ou pagar uma multa no valor de 38 mil dólares.
Uma questão social
O caso reacendeu uma discussão que já é antiga na Coreia do Sul: a epidemia do “몰카” (molka), termo em coreano que pode ser traduzido como “câmera secreta”, e se refere ao crime em que vítimas são espionadas em momentos íntimos para propósitos sexuais.
O problema afeta principalmente a parcela feminina da população sul-coreana, que tem sua privacidade exposta ao serem filmadas em banheiros, parques e até mesmo nos transportes públicos, onde os autores têm como alvo mulheres usando saias.
Uma reportagem recente do The Korea Herald relacionou o escândalo do jogador com esse problema social e apresenta dados alarmantes, revelando que esse tipo de crime aconteceu em média 17 vezes por dia nos últimos cinco anos.
Além disso, de acordo com o Instituto Coreano de Criminologia e Justiça, 3.111 crimes com vídeos gravados sem consentimento aconteceram só na metade do ano de 2023.
O Instituto ainda revela que a prática ficou mais popular com o passar dos anos pois em 2021 foram registradas 6,526 ocorrências e em 2022 o número aumentou para 7.108.
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