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Entre cores, sonhos e autodescoberta – Entrevista SHUSHU9

Entrevista, booking, tradução: Guto Togo

Design: Jessica Fernandes

Entre cores, sonhos, coelhos e florestas noturnas, SHUSHU9 constrói um universo artístico que mistura delicadeza e introspecção. Por trás de visuais lúdicos e de uma estética marcada por elementos de fantasia, existe uma narrativa profundamente pessoal sobre ansiedade, amadurecimento, inseguranças e a busca por compreender a própria identidade.

Em seus lançamentos mais recentes, “PALETTE” e “DE-LE DANCE”, a artista apresenta dois momentos de uma mesma jornada: primeiro, a liberdade de escolher suas próprias cores e possibilidades; depois, a coragem de transformar escolhas em movimento e ação. 

Em entrevista, a cantora independente, SHUSHU9 fala sobre o significado de suas “cores”, a evolução entre “PALETTE” e “DE-LE DANCE”, o processo de composição, sua relação com a própria infância e o desejo de continuar sonhando mesmo depois de crescer. A artista também compartilha os sonhos de conhecer o Brasil e deixa uma mensagem especial para os ouvintes brasileiros que estão descobrindo sua música.

Confira a entrevista completa para à HIT! Magazine:

TIME HIT: Em “PALETTE”, você fala sobre “escolher as próprias cores”. O que essas “cores” representam para você na vida real?

SHUSHU9: Em vez de me definir por apenas uma cor, “PALETTE” fala sobre perceber que tenho muitas possibilidades diferentes, assim como uma paleta de um pintor. E, entre todas essas cores, acredito que tenho a liberdade de escolher aquela que parece certa para mim naquele momento.

Na vida real, acho que a “cor” de cada pessoa representa o seu mundo emocional. Os pensamentos que temos, as palavras que dizemos e as ações que tomamos se combinam para formar quem somos. É isso que, na minha visão, torna a cor de cada pessoa única.

TIME HIT: Depois de escolher essas cores em “PALLETE”, “DE-LE DANCE” representa o próximo passo: agir. por que foi importante continuar essa mensagem através de um segundo lançamento?

SHUSHU9: Porque acredito que uma escolha pode permanecer incompleta se nunca levar a uma ação. Tomar uma decisão é importante, mas, se nunca seguirmos em frente, ela permanece apenas como uma ideia. Para que nossos pensamentos realmente se concretizem, em algum momento precisamos dar esse primeiro passo por nós mesmos.

TIME HIT: Se “PALETTE” representa um momento de reflexão e “DE-LE DANCE” representa ação, qual você acha que seria o terceiro passo dessa jornada, mesmo que ele ainda não tenha se transformado em uma música?

SHUSHU9: É verdade que, originalmente, imaginei este projeto como uma trilogia. No entanto, devido a algumas circunstâncias e, principalmente, porque senti que essas duas músicas já completavam a história, decidi encerrá-lo como uma série de duas partes.

Como mencionei na descrição do álbum de “DE-LE DANCE”, queria que a história terminasse com a ideia de que todas essas pequenas ações acabam se transformando em uma dança. Queria criar o tipo de música que você gostaria de ouvir enquanto dirige tarde da noite, porque, para mim, isso representa o verdadeiro significado da liberdade.

Originalmente, eu planejava explorar esse sentimento mais profundamente em um terceiro lançamento. Mas, quando decidi concluir a história com duas músicas, escolhi expressar a mensagem que restava através da descrição do álbum de “DE-LE DANCE”, permitindo que ela funcionasse como o capítulo final dessa jornada.

TIME HIT: Como o conceito visual foi criado para mostrar a evolução entre “PALETTE” e “DE-LE DANCE”?

SHUSHU9: Em “PALETTE”, queria que a personagem principal transmitisse a sensação de uma tela em branco, então me vesti de branco enquanto preenchia as cenas ao meu redor com elementos coloridos. O clima geral era acolhedor, sonhador e, quase, como um conto de fadas, com uma atmosfera jovem.

Em contraste, “DE-LE DANCE” foi pensado para transmitir uma sensação mais fria e sofisticada. Incorporei um estilo inspirado no streetwear e transferi o cenário da natureza para a cidade. O conceito era sobre encontrar uma breve fuga da repetição do cotidiano.

Para expressar essa sensação de se libertar de uma maneira mais divertida e peculiar, optei intencionalmente por usar uma lente grande-angular e fotografia com flash ao longo de todo o conceito visual.

TIME HIT: Durante o processo de composição, a história que conecta essas duas músicas foi planejada desde o início ou se desenvolveu naturalmente ao longo do tempo?

SHUSHU9: Não foi planejada desde o início. Eu já tinha várias demos preparadas e, enquanto pensava em quais músicas representavam melhor quem sou atualmente, essas duas naturalmente se destacaram e se complementaram. Foi assim que, aos poucos, elas acabaram se tornando uma série conectada.

Coincidentemente, as duas músicas foram escritas durante a mesma estação do ano, então compartilhavam uma atmosfera alegre e refrescante, o que fez com que essa conexão parecesse ainda mais natural.

TIME HIT: Nos lançamentos passados, você já se descreveu como “uma pessoa triste, mas fofa”. Como essa dualidade entre melancolia e doçura aparece na sua música e nas suas letras?

SHUSHU9: É algo mais próximo de uma ansiedade crônica e de uma melancolia leve do que de uma tristeza profunda. Não sou uma pessoa afundada no desespero, sou mais alguém que reclama um pouco, mas que ainda quer, de alguma forma, sair de casa e seguir em frente. Não quero expor meu lado melancólico de uma maneira excessivamente séria ou trágica. Por isso, minhas letras tendem a ser introspectivas e confessionais, enquanto o visual permanece divertido e fofo. Por exemplo, expresso minha personalidade através de uma ilustração em que apareço usando uma máscara de coelho.

TIME HIT: Seu trabalho tem uma forte conexão com a infância e a redescoberta de si mesma. o que essa “criança interior” representa para você?

SHUSHU9: Quando escolhi viver como cantora aos 18 anos, pensei que mudaria completamente. No entanto, em alguns aspectos, continuo sendo a mesma pessoa e, em outros, mudei demais. Muitas vezes tenho dificuldade em lidar com o fato de estar envelhecendo, talvez porque ainda não tenha alcançado alguns dos marcos que imaginei que já teria alcançado nessa idade.

Nada parece estar completamente realizado, as responsabilidades continuam aumentando e é difícil aceitar as mudanças na minha aparência. Eu sempre quero fazer tudo bem, mas muitas vezes fico aquém dos meus próprios padrões, o que acaba gerando frustração. Esses sentimentos de distância entre quem eu sou e quem gostaria de ser, juntamente com minhas inseguranças, tornaram-se a base das minhas letras e da minha identidade.

A “criança interior” que existe em mim ainda quer ser perfeita e se sente decepcionada quando não consegue. Mas não posso simplesmente deixá-la ali, seria triste demais. Então, a minha versão adulta continua consolando essa criança, dizendo: “Está tudo bem. Você vai chegar lá, aos poucos.”

TIME HIT: O conceito da “máscara de coelho” usado no lançamento passado é profundamente simbólico. O que ela expressa para você pessoalmente? E esse significado mudou ao longo do tempo?

SHUSHU9: Eu queria que SHUSHU9 tivesse uma identidade visual e uma personalidade próprias, algo que eu pudesse representar através de um coelho. Não apenas porque ele é fofo, mas também porque é um símbolo da lua: puro, solitário e um pouco sonhador. Meu antigo nome artístico era “EUNTO”, que também tem uma conexão com a lua, então isso acabou acontecendo de forma natural.

Para mim, o coelho é tímido, mas inteligente; uma criatura delicada, ansiosa e mística. O “coelho branco” de “Alice no País das Maravilhas” também combina com a minha história. Ele representa curiosidade, ansiedade e o tempo, coisas com as quais lido constantemente. Tenho sempre medo de envelhecer e sinto que estou sendo perseguida pelo tempo. Mas esse mesmo coelho guia Alice para um mundo novo. Da mesma forma, quero continuar correndo, escapando e abrindo novas portas diante de mim.

É claro que eu também simplesmente amo coelhos… suas boquinhas, suas caudas redondinhas e suas orelhas empinadas. Inclusive, tenho vários objetos com tema de coelho em casa.

TIME HIT: O cenário da floresta noturna parece ser uma ponte entre o real e o imaginário. Que parte da sua jornada de autodescoberta esse cenário representa?

SHUSHU9: Pensei novamente no coelho branco; aquele que foge, mas ao mesmo tempo convida os outros a segui-lo. A “floresta noturna” representa a densidade da minha própria ansiedade, onde a única cor que se destaca sou eu.

A versão de mim mesma usando orelhas de coelho é frágil, mas continua correndo pela noite, procurando uma saída. É uma cena repleta de incerteza, de estar perdida e de inquietação.

TIME HIT: O que você gostaria que o público sentisse ao ver as fotos e os visuais do conceito “Floresta Noturna” usado no lançamento passado?

SHUSHU9: Eu queria que os visuais despertassem curiosidade. “Por que ela está sozinha naquela floresta?”, “Para onde ela está indo?… Se essas perguntas surgirem na cabeça das pessoas, já vou ficar feliz.

TIME HIT: O título “The End of a Long Journey” sugere encerramento e renascimento. Que tipo de transformação ou “renovação” você deseja compartilhar por meio deste trabalho?

SHUSHU9: Se quero crescer, preciso encerrar esse período em que estive mergulhada em ódio por mim mesma e começar um novo capítulo. Ainda não sei qual história virá a seguir, mas gostaria de registrar esse processo de recuperação emocional, algo como “Até os perdedores ainda podem continuar vivendo”.

TIME HIT: Cada uma dessas músicas parece refletir uma etapa diferente do crescimento emocional. Qual delas mais transformou você pessoalmente e por quê?

SHUSHU9: Eu chamo essas músicas de minha “série do ódio por mim mesma”. A que tem mais significado para mim é “WHEN I WAS A LITTLE GIRL”. “LIFE SWIMMER” fala sobre vagar pela vida, “FADE AWAY” representa o momento em que tudo perde o sentido, “RUN AWAY FROM ME” é sobre se isolar de si mesma, e “WHEN I WAS A LITTLE GIRL” representa a redescoberta de mim mesma.

Não é uma cura completa, mas sinto como se fosse dar um pequeno passo para fora do meu próprio quarto.

TIME HIT: Você usa a seguinte frase: “Nós envelhecemos, mas a criança dentro de nós ainda merece sonhar.” O que significa, para você, continuar sonhando mesmo depois de crescer?

SHUSHU9: Talvez não possamos viver da maneira ideal, mas sonhar ainda é um ato livre. Cada idade traz suas próprias responsabilidades e objetivos, e ir contra isso pode parecer tolo ou irresponsável.

Mas acredito que realmente envelhecemos quando paramos de sonhar. O envelhecimento físico é inevitável, mas quero que minha alma continue explorando e crescendo.

TIME HIT: Muitas pessoas associam o amadurecimento à perda da inocência. Você acredita que é possível amadurecer sem perder a “criança interior”?

SHUSHU9: Sim, com certeza. Se crescer significa seguir em frente, amadurecer significa ir mais fundo.

Somente aqueles que são puros o suficiente para continuar questionando a si mesmos podem realmente crescer e amadurecer. Se você busca apenas resultados, a inocência não é necessária mas isso é algo diferente.

TIME HIT: Se você pudesse visitar o Brasil, qual seria a primeira experiência que gostaria de viver?

SHUSHU9: Eu amo viajar, mas nunca estive na América do Sul. Pesquisei algumas fotos do Brasil e me apaixonei pela natureza. Adoraria visitar as praias do Rio durante o Carnaval, conhecer as Cataratas do Iguaçu, visitar vinícolas no Sul e até conhecer o Parque das Aves.  Eu gosto de vinho, seria o paraíso! Seria um sonho poder me apresentar no Brasil algum dia

TIME HIT: Que mensagem você gostaria de deixar para as pessoas que estão conhecendo sua música agora?

SHUSHU9: Fico realmente feliz por poder ser apresentada ao Brasil através da HIT! Magazine. Existem muitos artistas independentes como eu na Coreia que ainda não são conhecidos, então espero que vocês possam descobrir e ouvir mais da nossa música.

Mesmo quando a vida parece injusta, quando sentimos que estamos parados enquanto todo mundo ao nosso redor continua avançando, o tempo ainda segue seu curso.

Pessoas como eu, cheias de pensamentos que talvez pareçam inúteis, também estão tentando viver.

Se houver alguém por aí que se sinta da mesma forma, espero que possa pensar: “Ah, existe outra pessoa como eu”, e encontrar algum conforto nisso.

TIME HIT: Por fim, há algo que você gostaria de dizer?

SHUSHU9: Antes de tudo, gostaria de agradecer sinceramente à HIT! Magazine. Foi uma jornada relativamente longa até que esta entrevista finalmente pudesse ser publicada.

Como minha agenda de lançamentos mudou algumas vezes, muitos detalhes precisaram ser ajustados ao longo do caminho. Agradeço de coração pela paciência, compreensão e por todo o cuidado que tiveram em se adaptar à minha agenda durante todo esse processo.

Graças a vocês, pude deixar uma pequena parte de mim no Brasil através da minha música, um país que sempre sonhei em visitar. Mesmo que, por enquanto, seja apenas uma pequena conexão, isso significa muito para mim.

Espero poder voltar com ainda mais músicas no futuro e também espero que, um dia, eu tenha a oportunidade de visitar o Brasil e conhecer todos vocês pessoalmente.

Muito obrigada por todo o carinho e apoio. Espero que este não seja nosso último encontro e estou ansiosa para ver vocês novamente.

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Instagram: @shushuwave

Youtube: @shushu9_official 

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