A eliminação da Coreia do Sul ainda na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 continua provocando forte repercussão no país. A Associação Coreana de Futebol (KFA) anunciou que não realizará uma cerimônia oficial de recepção para a delegação no Aeroporto Internacional de Incheon, marcando a primeira vez desde a Copa do Mundo de 2002 que a seleção retorna ao país sem um evento de boas-vindas.
Os jogadores e a comissão técnica iniciaram o retorno neste domingo (28), deixando Guadalajara, no México. Parte da delegação fará conexão nos Estados Unidos antes de desembarcar na Coreia do Sul na terça-feira (30). Entre os atletas que retornam estão Jo Hyeon-woo, Kim Min-jae, Hwang In-beom, Hwang Hee-chan, Paik Seung-ho, Kim Moon-hwan, Lee Kang-in e Seol Young-woo. Outros jogadores que atuam em clubes no exterior devem seguir diretamente para seus respectivos países ou equipes.
A decisão da KFA ocorre em meio à maior crise recente do futebol sul-coreano. A seleção encerrou o Mundial na 34ª colocação entre as 48 equipes participantes, após vencer apenas a República Tcheca e sofrer derrotas para México e África do Sul, resultado que deixou a equipe fora da fase de mata-mata.
Na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, mesmo tendo sido eliminados na fase de grupos, a federação organizou uma recepção oficial para a equipe. Na ocasião, porém, torcedores protestaram contra o então técnico Hong Myung-bo, arremessando yeot (doce tradicional coreano) que, nesse contexto, simboliza desprezo e crítica.
Agora, diante do forte descontentamento popular, optaram por cancelar qualquer cerimônia oficial de chegada.
Esta crise ultrapassou o âmbito esportivo e acabou chegando ao governo sul-coreano. O presidente Lee Jae-myung afirmou que determinou ao Ministério da Cultura, Esportes e Turismo uma investigação para identificar as causas da eliminação e propor mudanças estruturais no futebol do país.
Em publicação nas redes sociais, Lee classificou a campanha como “incompreensível” e pediu desculpas à população pela decepção causada pelo desempenho da seleção.
Segundo o presidente, além dos problemas dentro de campo, há falhas administrativas que precisam ser corrigidas. Ele também defendeu reformas na governança esportiva, incluindo maior transparência, responsabilidade e mudanças no sistema eleitoral das entidades esportivas.
A manifestação aumentou ainda mais a pressão sobre a KFA, que já vinha sendo alvo de críticas da imprensa, torcedores e políticos.
E em meio à pressão crescente, Hong Myung-bo anunciou sua renúncia durante a coletiva realizada em Zapopan, no México, antes mesmo do retorno da delegação à Coreia do Sul.
O treinador assumiu a responsabilidade pelo fracasso da campanha, encerrando sua segunda passagem pela seleção nacional. Sua permanência já era alvo de questionamentos desde o retorno ao cargo, em 2024, e a eliminação precoce tornou sua saída praticamente inevitável.
Desde a eliminação da seleção, uma onda de críticas nas redes sociais, além de petições públicas exigindo mudanças profundas na estrutura da Associação Coreana de Futebol estão sendo feitas.
Especialistas e veículos da imprensa sul-coreana apontam que o momento pode representar um ponto de virada para o futebol do país, pressionando a promover reformas administrativas e esportivas para recuperar a confiança dos torcedores e evitar novos fracassos em competições internacionais futuras.

