O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol, destituído em 2024 após tentar impor lei marcial no país, foi condenado nesta sexta-feira (16) a cinco anos de prisão por obstrução da Justiça e irregularidades relacionadas ao episódio que desencadeou uma das maiores crises políticas recentes da Coreia do Sul.
A decisão, a primeira entre oito processos criminais contra Yoon, veio do Tribunal do Distrito Central de Seul e é inferior aos dez anos solicitados pela Promotoria. O ex-presidente, de 65 anos, já está preso desde julho de 2025.
Segundo o tribunal, Yoon foi considerado culpado por:
- Excluir funcionários do governo de uma reunião sobre a possível imposição da lei marcial;
- Fabricar um documento oficial ligado à declaração da medida;
- Se esconder por semanas na residência presidencial para evitar prisão, amparado por sua equipe de segurança;
- Ordenar a destruição de registros telefônicos, considerados potenciais provas.
Por falta de provas, ele foi absolvido da acusação de falsificação de documentos.
O juiz Baek Dae-hyun afirmou que Yoon, cuja função era zelar pela Constituição, “demonstrou uma atitude que desrespeitou o Estado de Direito”, classificando a gravidade dos crimes como “extrema”. A defesa já anunciou que recorrerá.
Possibilidade de pena de morte — mas execução é improvável
O caso ocorre poucos dias após promotores solicitarem pena de morte em um processo separado, no qual Yoon é acusado de insurreição por liderar a tentativa de impor lei marcial. Embora o crime permita essa punição, a Coreia do Sul não executa prisioneiros desde 1997.
Procuradores argumentam que Yoon não demonstrou arrependimento e que suas ações teriam ameaçado “a ordem constitucional e a democracia”.
O que foi a tentativa de lei marcial
Em 3 de dezembro de 2024, Yoon decretou lei marcial na Coreia do Sul em uma tentativa de fechar o Parlamento e restringir direitos civis. A medida, porém, caiu poucas horas depois, diante da reação contrária do Legislativo e de protestos populares.
O então presidente permaneceu semanas escondido na residência oficial antes de ser preso, tornando-se o primeiro mandatário em exercício na história do país a ser detido.
Yoon alega até hoje que buscava apenas “proteger a ordem constitucional” e que o decreto teria sido usado como forma de pressionar legisladores durante uma crise política.
Fonte: (1)

