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Coreia do Sul vai às urnas após ameaça de lei marcial e colapso presidencial

Nesta terça-feira (3), a Coreia do Sul foi às urnas em um dos pleitos mais marcantes de sua história democrática. Com 79,4% de comparecimento — a maior taxa em quase três décadas —, o país deu uma resposta contundente ao colapso institucional que culminou no impeachment de Yoon Suk Yeol. A eleição, convocada após o ex-presidente declarar lei marcial em dezembro de 2024, tornou-se um símbolo da resiliência popular e da força das instituições democráticas sul-coreanas.

Yoon foi destituído em abril de 2025 por ampla maioria no Parlamento, após declarar lei marcial no início de dezembro do ano anterior — um ato que gerou choque na opinião pública e desencadeou uma onda de protestos em Seul e outras grandes cidades. 

A mobilização relembrou as manifestações que derrubaram a ex-presidente Park Geun-hye em 2017. Desde então, o país tem sido governado interinamente por Han Duck-soo, primeiro-ministro que assumiu a presidência até a realização da eleição.

Uma eleição sobre memória, crise e futuro

Dois nomes conhecidos protagonizaram a disputa: Lee Jae-myung, do Partido Democrata da Coreia, e Kim Moon-soo, do Partido do Poder Popular. Lee, derrotado em 2022 e ex-governador de Gyeonggi, retornou com uma campanha calcada em sua trajetória pessoal — de operário fabril a político combativo — prometendo reconstrução econômica e justiça social. Kim, ligado à ala conservadora, buscou distanciar-se da gestão de Yoon, adotando tom moderado e pedindo desculpas públicas pelos erros da administração passada.

No entanto, a eleição ultrapassou os nomes nas cédulas. O país atravessa um momento de exaustão: economia estagnada, custo de vida em alta e um eleitorado profundamente dividido. “Votei cedo porque estou cansado de tudo isso, mas também porque quero acreditar que pode melhorar”, afirmou Kang Sung-wook, 40, desenvolvedor de software em Seul, ao The Korea Times.

As filas se formaram ainda nas primeiras horas da manhã, especialmente nas províncias de Jeolla e na cidade de Gwangju, bastiões progressistas onde o comparecimento ultrapassou 83%. Em Seul, o movimento foi constante, com presença expressiva de jovens eleitores. Celebridades como j-hope e Jin, do BTS, IU, Kim Go-eun e os integrantes do ATEEZ, HONGJOONG e SEONGHWA também votaram, reforçando o clima de responsabilidade cívica que marcou o pleito.

Pesquisas indicam liderança de Lee, mas resultados ainda não oficiais

Pesquisas de boca de urna divulgadas na noite da eleição indicam que Lee Jae-myung, do Partido Democrata da Coreia, lidera a corrida presidencial com aproximadamente 51,7% dos votos, enquanto Kim Moon-soo, do Partido do Poder Popular, teria 39,3%. Lee Jun-seok, do Partido da Reforma, aparece com cerca de 7,7%.

Essas pesquisas, feitas com cerca de 100 mil eleitores e complementadas por sondagens telefônicas, apontam que Lee liderou em quase todas as regiões, especialmente entre os eleitores mais jovens, enquanto Kim obteve melhor desempenho entre os mais velhos e em redutos conservadores tradicionais.

Até o momento da apuração parcial, 35% dos votos já haviam sido contabilizados, com Lee recebendo 48,62% contra 43,08% de Kim.

Embora os resultados preliminares indiquem uma tendência, a Comissão Nacional Eleitoral ainda não confirmou oficialmente o vencedor, com a divulgação final prevista para a madrugada de quarta-feira (4). A cerimônia de posse deve ocorrer na manhã do mesmo dia, na Assembleia Nacional.

Em declaração à imprensa, Lee afirmou que, apesar da apuração ainda estar em andamento, se os resultados forem confirmados, ele se compromete a honrar a confiança do povo sul-coreano. Líderes do seu partido celebraram os números, destacando o voto como um repúdio à crise política desencadeada pela administração anterior.

Por outro lado, representantes do Partido do Poder Popular expressaram surpresa e desapontamento com os dados divulgados, ressaltando dificuldades na campanha e a expectativa de que o pleito seria mais disputado.

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